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“A psicanálise é, em essência, a cura pelo amor”

Sigmund Freud

A psicanálise é uma abordagem psicológica fundada por Sigmund Freud no final do século XIX. Ela se concentra na exploração do inconsciente e na maneira como ele influencia nossos pensamentos, comportamentos e emoções. A psicanálise propõe que muitos dos nossos conflitos internos e problemas emocionais são originados de experiências passadas, muitas vezes relacionadas à infância, que foram reprimidas.

O objetivo da psicanálise é trazer à consciência esses conteúdos inconscientes, permitindo que os indivíduos compreendam melhor a si mesmos e seus padrões de comportamento. Através de métodos como a livre associação, a interpretação dos sonhos e a análise da transferência, os pacientes podem explorar suas emoções e vivências, enfrentando assim os conflitos não resolvidos.

A psicanálise oferece uma janela para o entendimento profundo do psiquismo humano, possibilitando a cura emocional e o autoconhecimento. Essa compreensão pode ser essencial para quem busca não apenas resolver problemas imediatos, mas também entender a dinâmica complexa do ser humano.

O estudo do psiquismo é fundamental porque nos permite compreender a complexidade da mente humana e o impacto de nossos processos mentais em nosso comportamento e emoções. Essa compreensão é essencial para diversas áreas, como psicologia, psiquiatria e psicanálise, pois nos ajuda a identificar as causas de conflitos internos e padrões de comportamento.

Compreender o psiquismo nos oferece ferramentas para lidar com questões como ansiedade, depressão e traumas, possibilitando um caminho para a cura emocional e o autoconhecimento. Além disso, ao estudar o psiquismo, podemos explorar como fatores sociais, culturais e experiências de vida moldam a nossa saúde mental.

O psiquismo refere-se ao conjunto de processos mentais e emocionais que ocorrem na mente humana, abrangendo tanto aspectos conscientes quanto inconscientes. Ele envolve a forma como pensamos, sentimos e agimos, e como essas funções interagem para moldar nossa experiência de vida.

A psique, por sua vez, é um termo que se refere à totalidade da mente, incluindo as emoções, pensamentos e comportamentos, sendo muitas vezes associada ao conceito de “eu” ou identidade pessoal. A relação entre psiquismo e psique é que o psiquismo é uma manifestação das funções da psique. Em outras palavras, o psiquismo é o funcionamento dinâmico da psique, trazendo à tona os processos que compõem nossa vida mental e emocional.

A estrutura do psiquismo, segundo a teoria psicanalítica de Sigmund Freud, é composta por três componentes principais: Id, Ego e Superego. Cada um tem uma função distinta e interage com os outros para moldar nosso comportamento e experiências.

  1. Id: O Id é a parte primitiva e instintiva da nossa personalidade. Ele está presente desde o nascimento e opera com base no princípio do prazer, buscando satisfação imediata de desejos e necessidades, sem considerar as consequências. É impulsivo e não tem noção de moralidade.
  2. Ego: O Ego se desenvolve para lidar com a realidade e mediar as demandas do Id com as exigências do mundo exterior. Age com base no princípio da realidade, buscando satisfazer as necessidades do Id de uma maneira que seja socialmente aceitável e realista. O Ego é responsável pela nossa tomada de decisões e pode adiar gratificações para evitar problemas.
  3. Superego: O Superego representa a internalização de normas sociais e éticas. Ele se desenvolve posteriormente, incorporando valores e regras aprendidas, geralmente a partir dos pais e da cultura. O Superego atua como uma espécie de consciência, julgando nossas ações e gerando sentimento de culpa quando transgredimos suas normas.

Relação entre os três componentes:

Esses três elementos interagem constantemente, e o equilíbrio entre eles é fundamental para o nosso bem-estar psicológico. O Id busca satisfação, o Ego tenta encontrar um meio-termo viável, enquanto o Superego impõe limites e padrões morais. Essa dinâmica pode gerar conflitos internos, que são comuns e normais na experiência humana, refletindo-se em nosso comportamento e nas dificuldades que enfrentamos.

A investigação do psiquismo humano, balizado em uma instância denominada Inconsciente foi uma das maiores proposições da Psicanálise Freudiana. Durante a investigação com seus primeiros pacientes, ainda dentro do método catártico, 75 REVISTA SABER ACADÊMICO N° 15 / ISSN 1980-5950 LOBATO, R. C. 2013. Freud observou que havia outra lógica operando na estrutura psíquica humana, para além da consciência. Tal lógica surge no pensamento de Freud, a partir do questionamento de onde iriam todos os conteúdos reprimidos pela mente humana, bem como de como funcionava o esquecimento em seus pacientes? (SCHULTZ; SCHULTZ, 2012; ZIMERMAN, 1999).  A esta instância Freud denominou de “inconsciente”, local onde os conteúdos reprimidos permaneceriam inacessíveis à consciência. Neste “local”, a ambivalência permitiria que sentimentos antagônicos entre si coexistissem, além de questões de temporalidade, que seriam inexistentes. Tal instância é caracterizada enquanto linguagem, sendo a fonte de energia do psiquismo humano, neste “local” o paciente sabe, mas não sabe, pois apenas conteúdos revelados a consciência seriam percebidos de sua existência (SCHULTZ; SCHULTZ, 2012; ZIMERMAN, 1999). Tal revelação, investigada da teorização e comprovação a partir da prática clínica, fundamentou-se na permanente avaliação de seu próprio referencial teórico, que, em constante reformulação pode rever conceitos e temas, além de demonstrar que a investigação deste modelo se fundamentara em formações que originariam uma Psicopatologia própria (JORGE, 2011; ZIMERMAN, 1999). A partir deste instante, as conceituações psicanalíticas tomam forma de teoria: a Teoria do Aparelho Psíquico, ou 1ª “Tópica”. Nesta teoria, Freud estabelece que o psiquismo se divide em três instâncias operativas: o inconsciente, o préconsciente e o consciente e neste momento estabelece a existência de uma dinâmica inconsciente, uma energia sexual pulsante (a Libido) e um fluxo direcional entre estes locais (JORGE, 2011; ZIMERMAN, 1999). Posteriormente, ao observar que a abordagem centrada nas três instâncias anteriores se constituía insuficiente para as leituras e análises na prática clínica, concebe que o aparelho psíquico seria subdividido em Id, Ego e Superego. Neste momento, Freud deposita a Libido, enquanto energia pulsional, em seu reservatório: o Id, sendo este regido pelo Princípio do Prazer (ZIMERMAN, 1999; PERSCH, 1983). O processo evolutivo da conceituação freudiana sobre o funcionamento psíquico é observado a partir de que as restrições da divisão do psiquismo em diferentes estados da consciência (Inconsciente, Pré-consciente e Consciente), foram superadas pela Teoria Estrutural, no momento em que desenvolveu o Princípio do Prazer (ligado 76 REVISTA SABER ACADÊMICO N° 15 / ISSN 1980-5950 – LOBATO, R. C. 2013. diretamente à Libido – Id) e o Princípio da Realidade (relacionado ao equilíbrio manejado pelo Ego) (ZIMERMAN, 1999; PERSCH, 1983). O Id é a instância do aparelho psíquico de Freud que representa basicamente a expressão das pulsões, e estas estão intimamente relacionadas com o inconsciente. O Id é considerado a fonte de energia psíquica de uma pessoa, segundo Freud, relaciona-se com a libido e com impulsos não civilizados. O Id é regido pelo princípio do prazer, isto é, o Id não tolera o desprazer e para isso sempre que se depara com situações de sofrimento procura o prazer para “combater” esta situação (ZIMERMAN, 1999; PERSCH, 1983). Já no Ego, temos a instância que trata da ligação do psiquismo com a realidade, ou seja, do indivíduo com o mundo exterior. Aqui vemos o embate do Id (inconsciente) com as exigências do superego com relação ao mundo externo. Pode ser visto como instância da personalidade e, portanto, intimamente conectado com a porção consciente da mente. Nota-se o princípio do prazer substituído pelo princípio da realidade (ZIMERMAN, 1999; PERSCH, 1983). E finalmente no Superego temos a instância caracterizada como um juiz de censo no que diz respeito ao ego, também é vista como um bloqueador dos impulsos do Id. O superego pode ser representado como as normas e valores passados pelas estruturas paternais. É estruturado durante a fase fálica quando ocorre o complexo edípico, é ele que nos pune (sentimento de culpa) quando fazemos algo errado ou que nos recompensa (sentimento de satisfação) quando realizamos algo de forma satisfatória (ZIMERMAN, 1999; PERSCH, 1983).

As funções psíquicas são os processos mentais que nos permitem perceber, pensar, sentir e agir. Elas desempenham um papel crucial em como interpretamos o mundo ao nosso redor e como respondemos a ele. As principais funções psíquicas incluem:

  1. Percepção: Referente à capacidade de captar estímulos sensoriais e interpretá-los. A forma como percebemos as situações pode influenciar nossas emoções e reações, moldando nossa realidade.
  2. Pensamento: Envolve a capacidade de raciocinar, resolver problemas e tomar decisões. O pensamento crítico e analítico pode impactar a maneira como lidamos com desafios e interagimos com os outros.
  3. Emoção: As emoções são respostas subjetivas a estímulos internos ou externos. Elas influenciam nosso comportamento, motivando ações, como o desejo de se afastar de uma experiência negativa ou buscar um prazer.
  4. Memória: A memória nos permite armazenar e recuperar informações, sendo fundamental para aprender com experiências passadas. Os tipos de experiências que lembramos podem afetar nossas emoções e ações futuras.
  5. Motivação: Refere-se aos impulsos que nos fazem agir. A motivação pode ser intrínseca (motivação interna) ou extrínseca (motivação externa), e saber o que nos motiva pode melhorar nosso foco e produtividade.

Impactos no Comportamento:

Essas funções psíquicas estão interconectadas e influenciam nosso comportamento de formas diversas. Por exemplo, a maneira como percebemos uma situação pode gerar emoções específicas, que por sua vez nos levarão a agir de determinada maneira. Se alguém tem uma percepção negativa de uma situação, pode sentir ansiedade e, consequentemente, evitar o confronto.

Compreender essas funções e como elas se inter-relacionam é vital para o autoconhecimento e para trabalhar questões emocionais e comportamentais. Essa perspectiva é especialmente relevante para aqueles que buscam aprimorar suas vidas pessoais e profissionais, permitindo uma gestão mais eficaz das emoções e reações diante de diferentes circunstâncias.

CONCLUSÃO

A psicanálise permite que os indivíduos explorem suas emoções e pensamentos mais profundos, promovendo um melhor entendimento de si mesmos. Esse autoconhecimento é fundamental para lidar com conflitos internos e melhorar a qualidade de vida.

Muitas pessoas enfrentam conflitos que são resultado de experiências passadas não resolvidas. A psicanálise ajuda a trazer esses sentimentos à tona, facilitando a resolução e proporcionando um alívio emocional.

Entender como as relações e experiências da infância moldam a forma como interagimos com os outros pode transformar a dinâmica de relacionamentos pessoais e profissionais, levando a conexões mais saudáveis.

A psicanálise oferece ferramentas para enfrentar e trabalhar questões como ansiedade, depressão e traumas, contribuindo para uma melhor saúde mental e emocional.

Ao buscar a psicanálise, os indivíduos não apenas se beneficiam pessoalmente, mas também contribuem para uma sociedade mais saudável. As terapias psicanalíticas promovem um ambiente de empatia e compreensão, ajudando a desestigmatizar questões de saúde mental. À medida que mais pessoas se tornam conscientes de suas emoções e comportamentos, a sociedade se torna mais preparada para lidar com os desafios emocionais coletivos, promovendo um ciclo de sociedade em desenvolvimento e apoio mútuo.

Investir na psicanálise não é apenas uma decisão pessoal; é um passo significativo em direção a uma comunidade mais solidária e consciente, o que pode ter um efeito positivo em várias esferas sociais.

 

REFERÊNCIAS:

BRENNER, C. Noções Básicas de Psicanálise: Introdução à Psicologia Analítica. Ana Mazur Spira (trad.). 4ª ed. Imago: Rio de Janeiro, 1987.

CORRÊA, F. R. (1999). Prefácio em ‘Fundamentos psicanalíticos: teoria, técnica e clínica – uma abordagem didática’ de D. Zimerman. Porto Alegre, Artmed.

JORGE, M.A.C. Fundamentos da Psicanálise de Freud a Lacan – as bases conceituais. Vol.: 1. 6ª ed. Zahar: Rio de Janeiro, 2011.

KOHUT, H. Como cura a Psicanálise? Artes médicas: Porto Alegre, 1989.

REVISTA SABER ACADÊMICO N° 15 / ISSN 1980-5950 – LOBATO, R. C. 2013.

SCHULTZ, D., SCHULTZ, S.E. História da Psicologia Moderna. Suely Sonoe Murai (trad.). Cengage Learning: São Paulo, 2012.

VÍDEO: Bebê recebendo coração da mãe

https://drive.google.com/file/d/1FNGrb7HF8JS4SJweQFWQLJ2cTJo_3Efe/view

ZIMERMAN, D. E. Fundamentos Psicanalíticos: Teoria, técnica e clínica. Porto Alegre: Artmed, 1999.

https://drive.google.com/file/d/1L6cUFgzQYyWrC6Vov1IGybVyM4K32Kxq/view

ZIMERMAN, D. E. Etimologia de termos Psicanalíticos. Artmed: Porto

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